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segunda-feira, março 28, 2011

. Declaração de Uma Vampira .

Cronos...
Cronos é o tempo.
É a besta hedionda que devora sua própria prole;
para que sempre seja o Cronos.
O implacável ceifador, sim; O Cronos é a morte.
É o que leva e deteriora tudo aquilo que é vivo.
A não ser, nós os vampiros.
Presos nesse lugar.
Entre o Cronos e a morte.
Tão atrelados a eles, e mesmo assim tão alheios aos mesmos.

Com o Cronos partilhamos nossa existência perturbadora.
A morte desafiamos e rimos de sua face amorfa, contorcida de insatisfação.

Pois somos os vampiros, os mais sábios,os mais infelizes, ou felizes, os mais ingratos ou agradecidos, os mais calmos ou os mais cruéis, mas sempre, os mais belos nesse séquito de condenados.

Selene.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

O Despertar - Parte III

Mael nunca foi meu imortal predileto, na verdade, nunca gostei dele. Sempre o achei fatalista demais, por demais exagerado e deprimente. Mas, esse não era o momento de pôr minha opiniões acima das necessidades.

- Que faz aqui, Selene? Veio para o bem, ou para o mal? - perguntou, seco como sempre.
- Eu não vim a nada. Tenho apenas um forte interesse no que acontecerá hoje. Em todo
caso, foi bom encontrá-lo. - disse, ao sair inclinando levemente a cabeça, em uma tímida reverência.

Precisava ficar alheia aos problemas de Mael, que não conseguia tirar de sua mente a imagem de Jess. Talvez eu devesse avisar que parasse de tentar não pensar nela, isso só fazia com que pensasse mais.

A demora de Khayman me deixava impaciente, avistei outros vampiros, de menor porte, desconhecidos para mim. Deveriam ser os vampiros da Irmandade, que desejavam assassinar Lestat, e esses iam ter um final trágico. Lestat é poderoso como poucos de nós conseguem ser, é belo e ousado, e não se deixaria abater por uns jovens tolos, cheios de regras inúteis.

Estava tão presa em meus pensamentos que não notei a presença de Armand... Tão próximo de mim, tão moderno, e acompanhado. Daniel estava com ele, transformando finalmente. Parecia animado, contente com a situação, como se todo o perigo não lhe afetasse,como se não o envolvesse.Quase sorri com seu comportamento se divertindo com o show, parecido com os mortais, tão típico dos recém-nascidos.

Mas Armand, com seu péssimo gênio quebrou a situação. Olhando para mim com seus olhos
frios e interrogativos. Perdi o interesse e virei o rosto.
Não queria falar com ele, muito menos olhá-lo.

Khayman logo apareceu, e não senti sua presença antes de vê-lo. E o notei não por tê-lo visto, mas pelos olhares espantados que Mael e Armand lançavam na minha direção, e claramente não eram dirigidos a mim.
Sua aparência causava grande espanto em outros vampiros, que ainda não estavam
acostumados com ele. A brancura de sua pele, a rigidez de seu sorriso, seu rosto parecia uma máscara fria e sem expressão.

Logo que o encontrei perdi a postura altiva e cai em seus braços, com o rosto afundado em seu ombro, quase chorando. Ficamos abraçados um tempo, mas seu silêncio me fez ver que não era o momento para lamentações. Demos os braços e voltamos para junto da multidão.

Ouvi o pensamento de Mael que era bem similar ao de Armand.

" Mas quem é esse vampiro? Quantos anos terá? Qual sua relação com ela? E ela tão altiva, parece chorar, porquê?"

Ignoramos as indagações e continuamos avançando entre os mortais, quando notamos uma
agitação, eles pareciam saber de algo que não sabiamos. Era o Vampiro Lestat, entrando no palco, como um grande astro. Um astro reluzente e contente. Cantando em plenos pulmões, com sua voz sobrenatural ressoando alto. Sem necessidade de microfones ou amplificadores.

Khayman ficou maravilhado com aquela revelação, aquela exposição.Ele não parecia se
importar com velhas regras que nunca foram escritas.

O show passou sem muitos problemas, acompanhamos atentamente toda a movimentação...
Quando o show terminou, Khayman saiu em disparada parecia ter notado algo que eu não
havia. Vi Mael passar rapidamente para a saída, e eu que não poderia ficar ali, parada...

Resolvi ir de vez encontrar a gêmea ruiva. Khayman sabia o caminho, Mael veio sob suas ordens, mas Armand e Daniel iam precisar de mim.

Eles estavam correndo, fugindo da presença de Akasha que estava cada vez mais próxima, e iam tentar encontrar o Vampiro Lestat. Precisavamos encontrar as gêmeas, Lestat ficaria bem.

- Armand, temos que ir. Temos que ir agora! - falei, segurei-os pelos braços e os avisei que ficassem próximos de mim. Nós iriamos voar!

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

O Despertar - Parte II

Ao despertar na noite seguinte, tive tempo apenas para tirar o pó das roupas, e voltar a viajar, voando, correndo... Mas quando cheguei em Londres, parei para descansar e me recompor. Passei rapidamente em uma loja, comprei roupas e alguns acessórios...
Parei em um modesto hotel,o primeiro que encontrei, estava mais preocupada com a funcionalidade que com o requinte.

Não havia muito o que fazer, pedi a recepção do hotel que reservasse para mim uma passagem no próximo voo para São Francisco. Deixei-os ocupados com números de cartões de crédito, nomes falsos, endereços falsos, falsos pretextos, enquanto me lavava, me trocava e tentava relaxar um pouco.

Adiantou pouco, ou quase nada... só conseguia pensar nos meus filhos, em Khayman... em Marius, e seu chamado, minha raiva diante da minha impotência foi enorme. Gostaria tanto de podido ir ao seu encontro, de ajudá-lo. Meu velho amigo, que pedia a todos nós que o ajudassem... As lágrimas continuam existindo em mim, até hoje.
Nesse momento, até Armand estava esquecido. Mas logo pensei nele, em como estava
condenado igual a qualquer outro de nós. A falta de noticias me perturbava, não havia
como saber como estavam todos.

Eu estive isolada deles por tanto tempo que não havia como contactá-los. Não por vias
diretas. Não tinha números de telefone, endereços, contatos.. Nada! Me perdi na era
moderna, presa no frio da Rússia. Presa nos olhos de meus filhos...
Parei por alguns momentos, fiquei olhando fixamente para aquele telefone, parado na
mesinha ao lado da cama. Querendo quase obsessivamente ter algum número para discar, não havia número algum. ' Estúpida, quem mandou se desligar do mundo, dessa maneira?.'

Pensava, cheguei a dar uns tapas de leve na testa. Para me repreender.
Logo a recepção ligou, meu voo estava marcado para as 22:00 hrs, o que seria meia hora depois. Me apressei em chegar ao aeroporto e por fim embarcar.
Estar entre os mortais me confortou, esperei proteção naquela situação. Em estar entre pessoas as quais ela não tinha razão aparente para matar.

Virei-me na poltrona, olhando pela janela, escondendo minhas lágrimas... Que causariam grande espanto nos mortais... Tentei pensar nos motivos dela, em porque acordar justamente nesse momento. Só pelo jovem vampiro? Eu não acreditava nisso. Tinha de haver algum propósito nisso, nessas mortes.
As horas demoravam a passar, demoravam muito.

Voltei a pensar em Mikha e Vlad, naquela região tão afastada, e se por fim eu mesma caísse na batalha? Quem iria guiá-los? Quem iria acordá-los? Mantê-los?
Comecei a imaginar que seria melhor tê-los trazido, seriam de mais ajuda aqui, que lá...
Mas não, eles se arranjariam sem mim, eram espertos, inteligentes, sempre foram. Eram bem antes de eu transformá-los, continuariam sendo sem mim.
Quando dei por mim, a comissária de bordo já estava dando as instruções para deixarmos o avião. Ótimo, já estava onde devia estar.
Agora era encontrar os vampiros!

Quem procurar? Ainda faltava algum tempo pro show... Ir diretamente até Lestat? Procurar Khayman? Quem sabe... Armand. Mas ele a essa altura já deveria ter transformado Daniel, e estaria ocupado com ele.

Decidi ir ao local do show e esperar Khayman aparecer.
O espaço onde o show seria realizado estava como eu imaginava, cheio de mortais apaixonados pela mitologia dos vampiros, a música do vampiro Lestat ecoando pelos ares, suas letras ousadas e reveladoras, sua voz era agradável de ouvir, o ritmo pesado do rock quase me fez esquecer nossa situação. Os jovens mortais dançavam, vestidos com suas roupas que imitavam a moda vitoriana, as longas capas, as maquiagens pesadas, cheios de pó para empalidecer suas faces rosadas, os colmilhos de plástico...
Quase ri em meio a eles, tão distantes da realidade, tão jovens e vibrantes, não era de se espantar que Lestat desejava entrar no coração e nas almas dessas criaturas.Que
desejava ser conhecido e amado por eles.

Apesar de entender seus motivos, nunca cogitei a possibilidade de me revelar a um mortal que não desejasse matar... Talvez achasse que isso fosse dificultar minha eternidade.Um apego ainda mais profundo por eles. Não um apego, mas uma ligação. Estar ligada a alguém que conhecesse minha condição e não fosse um de nós.

Os mortais passavam por mim,deixando seu cheiro profundo, o cheiro dos copos cheios de cerveja, Bloody Marys ou refrigerantes. Estar ali era como ter algo em comum com todos eles. Um show é de fato um evento interessante de observar.

Fiquei na entrada, esperando avistar outros vampiros, e principalmente meu Khayman. Ele provavelmente estaria bem preocupado e ansioso, ainda esperando a outra gêmea ruiva. Essa confiança de Khyaman no reforço dela me preocupava... Não sabíamos com que intuito Akasha havia despertado e esperar para ver não parecia a melhor medida a tomar.

Depois de mais ou menos uma hora de espera, avistei o primeiro vampiro verdadeiro. O que não foi difícil, já que... nenhum daqueles falsos vampiro tinha nossa força, nosso cheiro e muito menos nosso brilho sobrenatural.
Caminhei até ficar às costas do vampiro, lhe toquei de leve no ombro.
Ele virou calmamente, como se quizesse mascarar seu medo de mim.

- Mael... não precisa ficar espantado, sou eu, Selene. - disse, tentando acalmar o
vampiro que parecia um bárbaro viking em meio a vários e vários lordes franceses.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

. O Despertar . - Parte I

Boa Noite!

Sabe, há de fato poucas histórias tão... pesadas no conceito dos vampiros do que a de hoje...

A história, que tenho para contar é famosa e muito complicada... O despertar da Rainha.

Nossa origem finalmente revelada... Um evento que despertou das entranhas dos mais frios vampiros, o medo... a ameaça às suas vidas. Senti na carne o sofrimento dos mortais, a angustia, o medo da morte inevitável... Uma força além dos meus limites de defesa.Senti o medo, pelos meus filhos, meus amigos mais próximos... até mesmo por Khayman. Ele que é pra mim tão sólido quanto as pirâmides, tão forte quanto qualquer força da natureza.. Até por ele senti um medo. Esse capitulo da nossa história é negro... melhor,vermelho.
Vermelho como o sangue de todos os nossos irmãos-vampiros perdidos, mortos, encurralados,destroçados,feridos, acuados... Pelas mãos de nossa própria mãe, a raiz de todo o poder, e mal.
O âmago da questão, o receptáculo do espírito..

Vocês, que já devem ter lido o " Rainha dos Condenados" sabem a história... Mas eu sei melhor, estive lá... sofri como todos a angustia fornecida por Akasha.
Estive lá, sofri com eles... Sofri cada morte e a alegria do embate final.

Bem, acredito que já contei onde estava no momento do despertar, que senti a morte de Enkil, descrevi minha tristeza, minha loucura...
Mas logo houveram mais mortes, mais sofrimento.. Não que os assassinados fossem próximos a mim, mas não mereciam morrer apenas pelo desejo doentio de Akasha.


Então eu lembrei....
- Khayman!!Mikhail, Vladmir preciso protegê-los.. Eu preciso estar lá, eles despertam tarde,eles estão sozinhos... Eles..


Não disse mais nada, sai para noite, fui pelos céus, até chegar ao frio da Rússia...Chegando lá cada parte do meu corpo doía.. fora a pressão emocional, saber que ela atacava ainda com mais vigor os que dela fugiam... Mas não poderia deixá-los sozinhos, eles precisam de mim, pouco me importava a morte se pudesse defendê-los.

Encontrei meus filhos ainda dormindo, os dois dividiam uma espécie de porão abaixo da casa. Belos caixões com trancas por dentro e por fora, os abri com a mente. E lá estavam Vlad e Mikha, minhas últimas crias vampiricas,os únicos que sobreviveram aos séculos...
Eles despertaram ao sentir uma presença estranha em seu local de descanso.

- Selene!- eles falaram espantados comigo, ali,com aquele semblante assustado,
perturbada, pensando na melhor maneira de esconde-los.
- Calados,calados. - falei, andando de um lado para o outro da sala.
- O que está acontecendo? - perguntou Vlad.
- Um grande perigo para vocês, e é melhor que vocês não tenham consciência do que é.
Quanto menos souberem melhor. Um grande perigo para todos nós.- respondi.
- Isso não faz o menor sentido, do que se trata? Outros vampiros? Os humanos? - Mikha
pareceu assustado.
- Um problema muito grande, Mikha... Calem-se, já disse. Estou pensando em uma maneira de livrar vocês disso. - falei.


Passei mais alguns minutos até que parei um pouco e fiquei a sentir o movimento dela.
Onde estava, o que estava fazendo... Estava indo para o Ocidente... Afastava-se cada vez mais do Oriente, e isso em muito me tranquilizou.
Pensei nas montanhas, no Himalaia tão próximo de nós, nos limites dos nossos poderes
vampiricos... E lembrei de uma ocassião em que tive de me esconder em uma caverna no Himalaia.Com certeza seria possível levá-los até lá.
Deixá-los dormindo... como se estivesse ali a muito tempo, uma presença limitada e fria.
Esperava que assim Akasha os ignorasse.



- Eu tenho que pedir algo a vocês, algo muito importante. Vocês confiam em mim, certo? - perguntei um tanto distraída com meus planos.
- Claro que confiamos, devemos nossas vidas a você. Iremos onde você quiser. - responderam prontamente.
- Ótimo, nós teremos uma noite longa, rapazes. Muito longa. - disse,depois expliquei o meu plano.
Eles concordaram em ir mas acharam que seria muito complicado levar os caixões da Rússia até a Índia. Resolveram que comprariam ou roubariam por lá.


Viajamos o mais rápido que eles conseguiam... Meus filhos são muito jovens, não tem nem metade da minha força, mas são bem fortes. Aguentaram bem o ritmo da caminhada... Mas ainda não possuem o dom de voar.
Tive de usar todas as minhas forças, toda minha energia para levá-los comigo nessa

viagem... Depois a escalada, o frio... A neve, o medo constante... No fim, chegamos a uma caverna, escondida entre dois picos, o que dificultava bastante sua localização, e ainda mais alcançá-la.Vocês nem podem imaginar a complicação que foi, subir aquelas montanhas, enfrentar o frio, e o pior de tudo,com os dois carregando seus caixões. Para se enterrar junto na pedra. Minha incerteza de estar sendo ou não seguida, ou observada. E meu sangue puro, é muito próximo a linhagem real,para sentir os vampiros antigos como Maharet ou Akasha é bem mais difícil para mim...
Chegamos na caverna e comecei a explicar qual seria o plano de ação.


- Deixarei vocês aqui, dormindo, como se estivessem dormindo a muitos séculos, esquecidos, esperando a passagem do tempo. Talvez o perigo passe por vocês, passe e
ignore suas presenças. Quando isso passar, eu voltarei aqui, acordarei vocês, meus
amores. Juro que lutarei com todas as minhas forças para estar aqui novamente o mais rápido possível.- disse, abraçando os dois, contendo alguma lágrima, lágrimas de medo, de emoção, por fim, lágrimas de amor.

Eles nada disseram, limitaram-se a obedecer minhas instruções.

Deixei-os nos caixões, no sono mais profundo dos vampiros, aquele que pode durar de fato séculos. No alto daquelas montanhas, metade do meu coração, enterrado junto com eles. Com o meu sangue que corria nas veias dos meus filhos vampiros.

A descida solitária daquelas regiões inóspitas do mundo me fez perceber a imensidão da eternidade, que outros seres no mundo poderiam dizer que sozinhos enfrentaram a neve,o vento, altitude...
Quando finalmente cheguei em uma dessas cidades tão pequenas, que mal tem nome, não conseguia dar mais nenhum passo sem descansar... Precisava do sono reparador dos vampiros... Mas não imaginava como iria chegar a tempo, de como iria encontrar Khayman antes que ela o encontrasse. E ainda havia o show do Vampiro Lestat, que era meu dever assistir, eu deveria estar lá, para proteger o jovem... Precisava estar lá...Entretanto duvidei muito que conseguiria...

Me alimentei, nem sei bem como... me arrastei até uma cova que demoradamente cavei sob uma árvore.

-

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

. Selene .

" Selene...." Meu nome está perdido durante os séculos, em rostos e bocas mortas.
Em olhares vazios e vidas vazias, tantas vezes foi falado em meio a sofrimento, prazer e morte.... Tantas vezes o que ficou perdido atrás do meu nome foi um corpo vazio, um inútil gesto de reclamação... Selene, um grito de socorro nos lábios de meus amantes. Selene, a promessa perdida da morte... a tola esperança de que eu voltaria.
Selene eles dizem, Selene elas choram... Sim... Selene é um prazer e uma personalidade passageira, nunca há realmente a possibilidade de uma volta.

Mas, na boca dos que sabem meu nome pode ser tão importante, Selene eles gritam em meio a febre.... Elas buscam meu nome quando choram sobre os corpos mortos de seus amados... É a vida, adoráveis senhoras. Eu os quis, eles me quiseram, inútil refutar meu desejo.
Um nome doce e significativo, de fato! Me agrado com o som produzido ao dizê-lo.
Selene, ele está falando...

O jovem que implora aos meus pés que não o deixe... é Selene isso, Selene aquilo...
Que sofrimento descabido...

- Vladmir... está feito! Você terá que viver sem mim, morrer sem mim. Aprender sem mim! - digo, impassível. Afastando de mim, os seus braços que insistentemente tentam me prender, me forçar a ficar, por amor.
- Você não pode, sempre disse que me amava, que iríamos ficar juntos, agora diga Selene, que razão há em me criar e logo abandonar? - reclamava, agora altivo, recomposto.
- Eu o amo, de fato. Deixa-lo em nada diminui meu amor. Mas, tenho meus deveres... tenho uma vida além daqui. Não existe uma razão em continuar. E você, não deseja ir. - respondo, com uma frieza que não existe, aparentando uma força que não tenho.
- Me matarei se fores. Não desejo essa vida eterna, essa solidão. Esse vazio, você que deu sentido a todo esse mistério, sem a sua presença essa realidade perde todo o encanto.
- Tolo... já tomei a decisão, seja homem e siga com a cabeça erguida. Não faça com que me arrependa de ter dado meu sangue à você.

Selene ele diz... Selene ele sussurra...

- O que há de mais belo que mil dos teus sorrisos? Me diga,ó majestosa musa do meu canto, o que há? Sem tua sublime presença, as belezas da noite se fazem frias e tristes. Um lamento sem tamanho, um mórbido amor por aquilo que é morto, e mesmo assim tão concreto.- diz meu jovem poeta, um adorável mortal que acolhi entre os meus, que cuidei e amei...
- Não sei o que há, sei que o não há... Eu, tu, nós... Nada. E tu logo voltaras ao que eras antes da minha existência,porque logo será apenas um amor morto e acabado. Porque Selene é perpetua, e tu logo acabarás....

Selene...o nome perdido no tempo, um nome esquecido na história obscura de tantos mortos. Esquecidos...
Nome ainda escrito no negro coração imortal dos vampiros....

quinta-feira, janeiro 27, 2011

. Amor Mortal .

Alguns anos atrás... alguns não, acredito que pouco mais de quinhentos anos, encontrei um amigo, um vampiro.
Não é necessário perder muito tempo falando sobre ele. A história que
preciso contar não é sobre ele.
Nem é uma questão de necessidade, mas a história que quero contar não é a respeito desse vampiro.

Nos conhecemos poucos anos antes desse encontro.
A minha situação não era das mais agradáveis naquele momento, Khayman resolveu fazer uma viagem.
Eu sentia que cada vez precisava menos de mim. Me sentia um tanto perdida, sem
motivações para continuar com essa vida tão longa e solitária... Senti que deveria ver minha terra novamente, e ir... Ir de uma vez para onde quer que fosse. Finalmente morrer,mas o que aconteceu nessa noite, mudou algo na minha perspectiva de vida.

Bem, essa história não será interpelada entre mim e outro vampiro, apenas eu contando para vocês.
Encontrei esse amigo vampiro próximo a sua casa. Eu o estava espreitando, confesso.
Morava em Viena. Viena que sempre foi uma cidade agradável e linda. A Cidade dos Músicos,é como chamam Viena... Linda.

Esse meu amigo, tinha um comportamento muito semelhante ao de Marius.
Gostava de abrir sua casa aos mortais, e ter companhias mortais.

Eu o encontrei numa rua próxima a sua casa, o estava esperando é claro.

- Selene, adorada!- disse, abraçando-me, como é do costume dos povos mediterrâneos.
- Velho amigo! Que saudades estava de ti.- respondi.
- O que trás sua beleza adorável a Viena? - perguntou.
- A solidão talvez, senti falta das companhia dos velhos vampiros, os jovens me estavam
entediando.- disse, andando ao seu lado pela rua.
- Ah, te entendo, preciosa. Por isso vivo rodeado pelos meus adoráveis mortais.- disse, me conduzindo até sua morada. Um lugar luxuoso e acolhedor, lembrava um palácio em miniatura. Cheio de mortais. Festa, alegria.

- Amigo, posso lhe pedir um favor? - disse, pensando que precisava de um local para
passar o dia, e não trazia dinheiro algum comigo, nem queria me enterrar nas matas. Pelo menos não hoje.
- Tudo que você quiser Selene.- respondeu.
- Você teria como dividir seu local de repouso comigo? - perguntei, timidamente.
- Ah, não. É um local muito reservado, mas não teria problema nenhum em você ficar na
minha casa. - disse, alegre em me receber.
- Claro,na minha idade só preciso de um quarto escuro.- disse, satisfeita por encontrar um local adequado.
- Então vamos entrar, deixe-me mostrar a casa para você.

A casa era uma animação indescritível,mas passei diretamente para o quarto que ocuparia,não me sentia com espírito para festa. Logo percebi que era o quarto particular dele.
Decorado com um refinamento incrível. Ele saiu rapidamente e voltou trazendo consigo um lindo vestido, tirado não sei de onde. Trouxe jóias, meias, sapatos. Tudo que faria a felicidade de qualquer mulher. Perfumes, pinturas... Tudo que poderia me fazer mais bela ainda, ele disse.

Deixou-me sozinha, fiquei a observar o quarto e sua decoração.
Encontrei uma banheira, com a água já preparada para um banho, água perfumada e quente...
Era justamente o que precisava um banho para tirar a sujeira da viagem, me livrei
daquelas roupas esfarrapadas e borradas das caminhadas.

Entrei na banheira, sentindo a água me relaxar e aquecer meu corpo, fiquei de pé dentro dela, usando as mãos para deixar que ela me corresse pelo corpo, mas logo ouvi alguém abrir a porta...Achei que talvez fosse meu amigo vampiro, mas não. Era um jovem rapaz,deveria ter no máximo dezessete anos.
Possuía um longo cabelo loiro, corpo bem feito, olhos verdes... Estava envergonhado, mas excitado pela situação. Por que devo dizer, o sangue negro não diminuiu em nada a
exuberância do meu corpo. Que continuava belo como era na minha vida mortal. E vampiros não tem o pudor mortal. Continuei a me banhar, enquanto ele observava...

- O que faz aqui, meu jovem?- perguntei.
- Vim ver se sua beleza era tamanha quanto foi falada na festa.- disse, admirado.
- E eu correspondi as suas expectativas?- disse, lisonjeada.
- Ainda mais, minha senhora. Ainda mais. - ele estava boquiaberto com a naturalidade com que agia sob seus olhos.
- Você vai ficar ai parado? Me ajude a sair dessa banheira. - disse.
- E se eu preferir ficar ai com você? - disse, divertido.
- Isso seria muito interessante, quer mesmo? Então venha até aqui.

Ele tirou suas belas roupas, revelando o corpo que eu já suspeitava se esconder embaixo delas. Entrou na banheira, e num ato tão comum aos jovens homens, me puxou para junto de si, mas logo sentiu que eu era...diferente.

- Ah, então você é como o meu senhor, eu não acredito que existam mulheres dessa maneira.- disse, explorando meu corpo, sentindo como eu era. Me beijando, correndo as mãos pelos meus cabelos... Com toda a inexperiência esperada com um rapaz tão jovem.
Claro que isso não poderia ir em frente...
O beijei com uma ferocidade que a solidão me conferia, mordi língua, sim, mordi. Não me arrependo disso. Depois do demorado beijo ele só pensava em me arrastar para a cama.
' isso, não podemos.Eu lamento, meu adorável rapaz.. lamento.' sussurrei entre beijos e afagos.
Sai da banheira, ele me acompanhou, me ajudou a secar os cabelos, a penteá-los... O que não foi dificuldade alguma, já que eles não conservavam sujeira ou nó algum.
Ajudou a vestir e amarrar o vestido, cheio de laços e amarrações.

O levei até a grande cama cheia de almofadas e colchas, forradas de seda. Um primor.
Ele pareceu acostumado a situação, não procurou outros prazeres além da minha companhia.
Simplesmente dormiu abraçado a mim, mas acordou quando minhas lágrimas de sangue
começaram a correr. Perguntou o que poderia fazer por mim,o que me aflingia.Não havia
nada que pudesse fazer, era minha depressão,minha solidão que chorava.
A falta que Khayman, Marius, Avicus, e os meus outros adoráveis amigos vampiros me fazia era revoltante. Quero meus mortais, queria aquele mortal.

- Você é tão bonito, meu jovem.- disse, acariciando levemente seu rosto.
- Qual o seu nome senhora?
- Selene.- eu disse.
- Porque chora?Não a faço feliz?- disse, limpando levemente as lágrimas de sangue.
- Você me deu um sentido, sua beleza deu um sentido a essa noite. Uma noite de passagem.

Na qual eu iria morrer. Estava apenas preparando meu espírito para isso. Mas esses
momentos, me fizeram ver novamente a beleza nos simples gestos e no amor dos mortais.

Depois de algumas horas consegui tirá-lo da cama, fazer com que parasse de tentar me
seduzir. Dizendo que o amor era o que me ligava a ele, não o carnal. Mas quem dera os
jovens tivessem a minha paciência... Partilhamos mais alguns momentos de prazer carnal, que pude proporcionar com toda a eficiência de quem passou séculos amando os mortais de maneira limitada.

Depois dessa noite, do encontro com ele, com meu amigo vampiro... Encontrei um novo
sentindo na minha existência, do meu encontro com aquele jovem, surgiu um amor entre os vampiros. Por que minha história com ele, se confunde com a minha história com outro grande amor...

Boa Noite!

sexta-feira, janeiro 21, 2011

. Lamento dos Olhos de Armand .

Boa Noite!

Vamos passear? Claro que vamos.

Uns anos depois de encontrar Armand, encontrei Marius, na sua Ilha particular.. No meu mar... Marius seria muito tolo de achar que estava bem escondido dentro do meu mar...
Ele e Aqueles-Que-Devem-Ser-Conservados. Apesar de terem se passado mais de cem anos da visita do Vampiro Lestat ele continuava ali.

Entrei clandestinamente em um barco e consegui chegar até a ilha.
Bati nas portas da casa de Marius, esperando sua antiga recepção calorosa, mas ele parecia mais, cansado de seu fardo.

Fiquei quieta, até que ele aparecesse, um tanto nervosa, por estar tão perto de Enkil, seu coração me deixava descontrolada.... Sentei em uma pedra, as mãos nos ouvidos, chorando baixinho... ' Marius, Marius, apareça, preciso de você.'

Ouvi Marius se aproximar, sempre tão generoso ao se fazer notar.

- Selene, o que faz ai no chão? Que cena mais desconcertante. Sinto-me envergonhado por deixá-la ai. Quando senti a presença achei que fosse outro imortal. - disse, ajudando-me a levantar.
- Desculpe aparecer tão repentinamente, senti falta de companheiros mais antigos...Cansei dos jovens, morrem como ratos nas cidades, e eu precisava de mais... assunto. - respondi, o seguindo em direção a casa.
- Aconteceu alguma coisa, não foi? - perguntou.
- Podemos conversar lá dentro? - respondi, queria um pouco mais de conforto para contar os fatos.
- Claro.

Marius me conduziu por um lugar cheio dos mais variados confortos e requintes que mortais e imortais poderiam querer.
Fomos até a mesma sala onde anos antes ele havia revelado seus segredos a Lestat.
Pareceu um tanto desconfortável por tais lembranças.

Ele soube que não podia manter os ares de professor comigo, eu não era um vampiro novato completamente espantado com a presença dele. Se portou como o amigo, o companheiro de eternidade que era ao meu coração.

- Me diga uma coisa, o que diabos aconteceu com você, Marius? - perguntei.
- A falta de possibilidade em acabar com responsabilidades angustiantes e repressivas.- respondeu.
- Está querendo se livrar deles?- perguntei, divertida.
- Nem fale algo assim nesse lugar. Mas está cada vez mais difícil, o isolamento e poder ficar sem companheiros. - disse, cabisbaixo.
- Você gostava mesmo do jovem vampiro, não é? - perguntei.
- Gostava sim, mas Lestat precisava de orientação... Não companhia. - disse.
- Agora, vamos parar de falar nele. E falar em outro companheiro nosso.- provoquei.
- Armand? Você não desistiu de encontrá-lo? Acho que se apaixonou pela imagem dele Selene. - sorriu.

Parando por uns instantes analisou meu rosto em busca de nova emoções

- Ah, mas eu o encontrei finalmente. E você não imagina como estava radiante. Tão lindo, tão mais perfeito do que eu poderia imaginar. - disse, abrindo minha mente e revelando a imagem de Armand ao lado de Louis.
- O que faz aqui? Que não está lá com ele? - perguntou
- Talvez eu goste da minha própria solidão. E a beleza dele é um veneno, você sabe disso. Consegue aprisionar até mesmo nossos velhos corações. Tenho medo de tais tentações. Preferia ficar aqui com você, mas outro velho coração pulsa embaixo deste teto, um que pode me enlouquecer muito mais fácil que os olhos de Armand. - disse, levantando-me da cadeira e andando pelo cômodo.
- Talvez Marius, eu tenha os mesmos motivos que você. É um tanto vergonhoso o efeito dele sob nós, não é? Imagine só, eu com toda minha beleza orgulhosa de mil anos de existência chorar diante dos olhos dele. Uma coisa lamentável, meu amigo. - continuei.
- Adoraria que você ficasse, mas entendo seus motivos.
Mas Selene, não deixe passar mais quinhentos anos antes de me visitar novamente.

- Claro que não. - disse, saindo da casa, sumindo na noite.

Boa Noite!

quinta-feira, janeiro 20, 2011

. Olhos Para Noite .

Boa Noite!

Acho que já cansaram do meu presente, e do passado próximo não é mesmo? Vamos a um passado distante...
Na onde em que fui criada...

Khayman me transformou dentro da minha própria casa, lá ele presenciou minha morte mortal, enquanto me agarrava a seu corpo, sofrendo da dor que só os que morrem podem saber da qual se trata.
Uma dor na qual meu corpo parecia estar se auto destruindo, doía em cada parte e parecia que logo eu começaria a sangrar para sempre. Mas nada disso aconteceu, quando a dor chegou a um ponto insuportável, parou, assim como veio.

- Agora veja minha querida, com seus olhos de vampiro. - disse Khayman.
Então eu vi, as chamas das velas pareceu prender meus olhos, os enfeites em meus braços pareciam grandes jóias, os olhos negros de Khayman nunca haviam me parecido tão lindos, sua cor nunca havia sido tão bela.
- Mas é tudo tão, fascinante, como consegue viver nessa tranquilidade quando seus sentidos lhe mostram que tudo é tão lindo, meu senhor?- perguntei, parecendo uma criança que acaba de abrir os olhos a tudo que me rodeava.
- É o costume, são milênios vivendo nessa vida. - disse.

- Senhor, estou sentindo uma coisa estranha, sinto uma espécie de fome, um desejo de me alimentar, quero mais sangue... quero tanto sangue. Uma coisa que me faz sentir que nem mesmo um exército saciaria essa fome. - disse, envergonhada.

- É a sede querida, você deve estar mesmo com fome. Vamos, há muito sangue nessa cidade para nós. Agora venha, deixe-me lhe ensinar como caçar. Espero que não vá caçar como eu, há maneiras mais sutis. Ensinarei a você. Saberá como enfeitiçar a mente dos homens, como fazer com que se joguem aos seus pés. Minha querida. - disse, me abraçando afetuosamente.

- Senhor, tem uma coisa que eu quero ver, acima de todas as coisas... - falei, me referindo claramente a minha adorada lua.
- O queres ver Selene? Levo você a qualquer lugar que queira - respondeu.
- A lua Khayman, é isso que desejo ver. - disse.

Saímos de minha casa e finalmente ergui meus olhos na direção dos céus e... o que meus olhos viram até hoje me causa um fascínio indescritível. O brilho da lua nos olhos de um vampiro é... como um sol prateado. E as estrelas como lindos diamantes brilhando no céu escuro. Meu nome nunca fez tanto sentido, Selene, Deusa da Lua...

Naquela noite, além de conhecer os prazeres conseguidos atraves dos sentidos vampiricos, matei pela primeira vez....

- Agora Selene, escute a noite. Escute os pensamentos dos homens. Escolha o que quiser. Não pense em mais nada. Pense que o quer, e isso você terá. - disse Khayman.

Então ouvi a noite como ele dizia, os sons nunca pareceram tão nítidos, nem os cheiros...
Logo encontrei o que desejava, um soldado, um vigia, que dormia enquanto deveria estar vigiando.

Me aproximei dele, o mais silenciosamente que podia, finalmente estava tão perto que poderia ataca-lo facilmente, mas preferi deixar que acordasse. Que me visse...
Abriu os olhos alarmado ao sentir minha presença, ia sacar sua espada quando viu que se tratava de uma mulher, logo seus pensamentos mudaram de proteção para desejo.
Quando bateu os olhos nos meus ficou completamente sem palavras; eu não havia me olhado no espelho, não sabia qual era minha aparência, mas como devem saber, era a beleza estonteante dos vampiros. A qual nenhum homem pode resistir.
O beijei, como faço com a maioria das minhas vitimas, mas o fiz por que queria sentir essa liberdade, de beijar um homem que mal conhecia e que logo morreria em minhas mãos.
Quando o mordi,foi um êxtase, sentir sua vida fluir para dentro de mim,sentir suas lembranças, tudo. Ainda melhor que o sangue de Khayman... Apesar de mais forte, era cheio de confusão.

Khayman assistiu tudo isso com um leve sorriso nos lábios...

- Muito bem Selene. Nada mal para a primeira morte. Agora vamos, já se faz tarde, temos um longo caminho até sua nova casa. - disse, pegando levemente minha mão entre a sua.

E assim eu conheci o mundo que podemos ver através dos olhos dos vampiros...

Boa Noite!n

terça-feira, janeiro 18, 2011

. Ladrão de Arte .

Boa Noite!

Finalmente voltei das minhas viagens...

Tenho uma missão nova, encontrar um vampiro....
Victor, é o nome do vampiro.
Ele tem uns cinqüenta anos. O problema de Victor é ser um ladrãozinho de meia pataca.

Vocês devem estar pensando, mas por qual motivo nós, os vampiros ,ligaríamos se um de nós anda roubando? É bem simples, o gênio está roubando obras que são facilmente reconhecidas e o modo como ele faz é muito denunciante.
Além do que, o vampirinho já foi pego por um sistema de vigilância... E desistiu do roubo.
Até por que, ele não poderia matar os guardar, ser pego pelas câmeras e achar que ia dar tudo certo.
E é muito descuidado, deseja coisas que são demais para o bolso dele.
Não tem condições de fazer como nós? Conseguir o dinheiro e depois comprar ?
Tem que roubar?

Como dizem os mortais, tenho que dar uma dura nele.

Nessa noite fiquei esperando nas redondezas da casa do paspalho, até ele aparecer com outro objeto roubado.
Dessa vez uma estátua babilônica... que sutil.

Quando me viu, teve vontade de sair correndo.
Mas logo soube que se fizesse, era o fim.

- Boa Noite Victor - disse, andando até a porta da casa.
- Bo Booa Noite, quem é você? Vá embora da minha casa. - tremia de medo..
- Eu sou a sua salvação, não seja tão desconfiado. Não me convida para entrar? Não precisa. - disse, fazendo a fechadura abrir e entrando na sala da casa. Repleta de obras de arte embaladas, nas paredes, encima de mesas, e os próprios móveis eram de um ótimo gosto.

Ele entrou e ficou totalmente apreensivo, achando que seriam seus últimos minutos de vida.

- Agora eu me lembro, já ouvi falar sobre você. Mas achei que fosse uma lenda dos vampiros. - disse.
- Ouviu não é? Mas, não vim aqui tirar sua vida. Vim apenas dar um aviso. Pare de roubar essas coisas... quer roubar? Gosta de roubar ou gosta de arte? Responda Victor.
- Eu... você não pode levar meus tesouros, você não tem esse direito. - disse.

O homem era neurótico, suava, tremia, andava de um lado para o outro.

- Faz assim, abandone essa casa... Faça uma denuncia, diga que estão aqui. Roube coisas mais... fáceis, venda, e compre suas obras de arte inestimáveis. - sugeri.
- Não, não... não posso...
- Você tá neurótico, querido.
- Mas,você não sabe o trabalho que me deu, você não entende... - disse.

Essa missão estava chata e entediante, nem matar o infeliz eu podia...
Deveriam manter um abrigo pra vampiros defeituosos. Marius poderia dirigir até.
Não tenho paciência pra isso.

- Desculpe querido, vai ser melhor pra você.

Matei o infeliz. O queimei, depois queimei seus restos até viraram cinzas. Depois as joguei no vento. Não podemos deixar um fio de cabelo que seja pra esses cientistas criminais.
Depois revistei a casa, procurei documentos e qualquer coisa que pudesse levar alguém até nós. Nada.
Ao sair da casa, liguei para a policia de um telefone público.
Denunciei o endereço e fim.

Horas depois, eu já estava estava em casa.
Quando meu telefone tocou.

- Sim, é Selene.
- Sim, chefe, resolvi o assunto com o tal Victor.
- É amor, ele não vai mais incomodar.
- O que eu fiz? Matei oras.
- Como assim muito radical?
- Ele era louco Armand. Completamente.
- Não se incomode, trabalho limpo e eficiente.
- Sim, eu vou para Londres, eu sei.
- Certo, Marius. Entendi, ir pra casa dele.
- Boa Noite. Passe bem Armand.

Essa missão foi irritante, devo dizer.
Mas essa idéia do centro pra vampiros abandonados é uma boa idéia não é?
Vou falar disso com Marius quando for a Londres..

Boa Noite.

. Na Ilha da Noite .

Boa Noite!

Desculpem minha demora em aparecer novamente, mas eu estive um tanto ocupada.
Tive missões, encontros , conversas...
E uma conversa que tive umas noite atrás foi em casa... Na minha casa.
Finalmente tive um tempo de voltar para a minha casa, as minhas coisas..
Não que eu não esteja feliz em Miami, mas eu precisava mudar um pouco de ares.

Nessa noite em especial encontrei David por lá, ele não sabia que eu estava voltando.
Qual não foi minha surpresa quando dei de cara com ele na sala.
Assistindo a BBC... Como sempre.
E Khayman estava em casa também.
Acabava de chegar da sua temporada com as gêmeas.

Abri a porta e fiquei espantada ao ver uma pessoa no sofá, a casa não exalava nenhum cheiro mortal, então só poderia ser um vampiro.

- Ah, David! Ainda aqui? - disse.
Ele veio até mim e me abraçou.

- Sim, Selene ainda aqui. Khayman voltou, estamos escrevendo suas memórias novamente.- disse ele, enquanto nos sentávamos no sofá.
- Que bom, eu vim passar um tempo aqui. Saudades de casa. Vamos até à sacada.. - disse, tinha em mente contar uma história para ele. Uma história que ele precisava conhecer sobre mim.
- Claro que sim. - disse, me conduzindo gentilmente até lá.

Que saudades eu havia sentido da vista da cidade, do cheiro das árvores, dos vizinhos sempre passando, e da lua. Tão majestosa em todos os lugares.

- Como tem passado, em Miami? - perguntou.
- Ah, muito bem. Mikha e Vlad finalmente voltaram para casa. E ficou tudo muito solitário, já que Armand está...viajando. Ele está sempre viajando agora. - disse, resmungando um pouco.
- Por isso voltou? Está se sentindo sozinha? - riu.
- Talvez, quer ouvir uma história ?- perguntei.
- Sempre quero. Que tipo de história?- perguntou.
- Ah, uma história sobre mim. E sobre coisas que aconteceram uns anos atrás.

Me acomodando na poltrona comecei a me lembrar do que aconteceu...

Estávamos todos na Ilha da Noite, passávamos noites e noites conversando e nos divertindo.
Khayman era um sucesso, todos queriam conversar com ele, saber suas histórias.
Eu fiquei muito feliz em vê-lo rodeado de pessoas interessadas nele. Khayman adora isso.
Enfim... fiquei muito amiga de Jess.
É uma mulher incrível, criada no seio do Talamasca, muito culta, cheia de informações interessantes.

Bem.. Lestat estava lá naquele estado de torpor e não ficou muito tempo na nossa companhia.
Eu o visitei em seu quarto algumas vezes... Nunca ficamos grandes amigos, mas ele é um vampiro sem igual.

Mas o fato em questão... não tem nada relacionado a Lestat, e sim a Armand.

Eu estava em uma sacada espaçosa conversando com Jess, assuntos de... menina. Por assim dizer... Conversávamos sobre a beleza dos vampiros.

- Aquele jovem, Daniel tem um charme interessante.- disse Jess.
- Não me agrada a beleza dele - disse, pensando nos meus homens que em nada se parecem com os vampiros.
- Você não acha que Louis tem a maior beleza entre eles, Selene? Tem um gosto estranho.- Jesse riu. Como os vampiros recém-nascidos ela falava coisas tão mortais.
- Não querida. Não acho. Já conheci vampiros mais interessantes, Lestat por exemplo.- disse desinteressada pela conversa, que não me rendia nada.
- Então, já que tem um gosto assim tão difícil,qual deles te agrada?- perguntou.

Mas o que ela não viu, mas eu sim. Foi Armand, parado em uma coluna, próxima sacada.
Parei um pouco a conversa, olhando para ele. Tão diferente dos nosso último encontro...
Acho que Armand esqueceu de Paris, do Theatro.. de Pierre. Ou talvez ele não saiba que matou meu amante. Em todo caso me perdi um pouco olhando para ele. Apesar de sua beleza me perturbar, eu não iria dar satisfações minhas para aquele vampirinho vaidoso.

Jess finalmente me viu olhando para ele, daquele jeito delirante...

- Então é ele Selene? Armand, eternamente jovem?Que agrada seu paladar milenar?- perguntou, toda maliciosa.
- Não Jess. Definitivamente Não. Ele entre todos é o que menos me agrada, ora ele... Eu gosto de homens mais evoluídos. - disse, alto e em bom som para que Armand ouvisse e desse o fora de lá.

Iamos voltar até a sala quando ele me puxou pelo braço. Brutalmente.
Me afastou de Jess e dos outros vampiros...

- Que conversa foi aquela? Além de covarde, virou uma mentirosa? - disse
- Por que eu deveria me agradar com você? Pelo bem do seu ego? Tenha santa paciência Amadeo.- respondi e fui saindo, quando me puxou novamente. Praticamente me empurrando contra a sacada.
- Os tempos são outros, não preciso mais andar por ai atrás de você. Além disso, eu o procurava para seus próprios interesses. Mas agora não é necessário, é? - disse, me afastando novamente.

Quando avistei Marius parado nos observando. E sorrindo, daquela maneira calma que ele sorri.
Passei por ele que educadamente me chamou.
- Tenha paciência Selene. Armand tem o orgulho ferido facilmente. O que disse pra ele?
- Ao que parece, o que disse, foi tão ofensivo para ele quanto dizer que preferia passar meus milênios dormindo nos teus braços que gastar meio minuto com ele. - respondi, rindo alegremente.
- Ofendeu a beleza dele? Isso pode enfurecê-lo realmente. Tenha cuidado. - disse.
- Com ele? Por qual motivo? Por medo? Ou por você, meu querido Marius?
- Faça pelo motivo que quiser, por mim se isso te agradar.
- Relaxe Marius, você está aqui para protege-lo. - disse, beijando levemente seus lábios.

Fui para meu quarto, furiosa, ofendida e louca para arrastar Armand até lá.
Vocês tem idéia de como é difícil esconder coisas entre nós? Os vampiros.
A única maneira de esconder o fascínio que tinha por ele, conservei um ódio de faixada.

Mas Khayman apareceu, ele sempre deixa tudo tão bem.
Conversamos... e ele me ajudou a esquecer aquela situação.

Assim terminei o breve relato que fiz a David sobre essa história.

Ele escutou a tudo calado..

- Por que você fez isso? - perguntou.
- Por diversão, por pirraça. Despeito talvez, nunca se sabe.
Também não entendi o motivo da reação dele.
- Ele deveria gostar de você, e ficou ofendido por você ter desdenhado dele. -disse.
- Nunca se sabe. Enfim, tenho que ir. - respondi.
- Já vai embora?- perguntou
- Não, tenho um encontro.

E fui mesmo, encontrar o Michael.

Bem, vocês conheceram uma história de como começou a história com Armand.
As vezes ainda acho que é vingança... Ou não, talvez ele me ame. Nunca se sabe....

Boa Noite.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Saindo de Paris

Boa Noite queridos.

Minha história de hoje é sobre o lindo Teatro dos Vampiros... e minha eterna obsessão por Armand..

Paris era o centro do mundo àquele tempo, e tinha um líder... Armand.
Ele já era o Senhor da cidade quando a Assembleia Infernal ainda existia...Mas agora reinava sobre as luzes do teatro. E eu... tinha que me esconder pelas ruas para não encontrá-lo.

Me esconder, ocultar minha presença, ocultar minhas presas, e ficar longe do teatro.
Mas eu queria tanto encontrá-lo, finalmente pôr meus olhos naquela beleza, conversar sobre Marius, sobre a vida, sobre tudo.

Desejava tanto conhecer Amadeo.... Mas além de não querer revelar minhas origens, minhas histórias, meus segredos... Khayman me proibiu de ir no teatro.

Mas onde estava Khayman? Fugiu de mim novamente... E me deixou sozinha em Paris...
Claro que eu encontrei um companheiro, um vampiro praticamente mítico. Me lembrava um elfo...
O longo cabelo negro, as orelhas levemente pontudas, as longas unhas, o corpo esbelto e o sorriso cristalino.. Meu pequeno elfo de cabelos escuros... Era francês, e se chamava Pierre.
Éramos um casal dignamente apaixonado. Me apaixonei pela beleza dele e por seu romantismo... Era tão carinhoso. E matava tão delicadamente quanto eu.
Os longos beijos, cheios de sangue e paixão..
Mas nem mesmo toda a atenção que Pierre me dava conseguia apagar da minha mente o desejo de ver Armand.

Pierre foi ao teatro sem mim, ele não se importava em passar pelos olhos frios e interrogativos de Armand... Disse-me que o espetáculo era brilhante... E que o líder deles era fascinante.
Claro que era... Amadeo.
Como vocês devem saber, eu não fui ao Theatro... Eu só fui encontrar Amadeo muitos anos depois. Quando Louis já estava em Paris. E o teatro acabado.
Sabem por que? Por que nosso adorável Armand... é um grande líder.

Ele conseguiu arrancar da mente de Pierre que ele viva com uma vampira antiga e poderosa... Eu. Que estava em Paris.
E Armand no seu sadismo conhecido matou Pierre... Matou sim.. Tentando me atrair para ele. Eu fiquei tão furiosa com esse crime. Tão furiosa...
Mas consegui aquietar meu coração.. Por que Khayman misteriosamente apareceu no meu apartamento e me fez pensar claramente.
Mandei uma carta ao Teatro...

Belo feito Amadeo...
Conseguiu minha ira e minha atenção.
Nos encontraremos quando for a hora.
Tente não matar mais ninguém que me seja querido.
Ou nosso encontro não será agradável como o que eu planejo.
E nem conseguirá as informações que deseja.

Deixo Paris essa noite, Adeus Amadeo.
S.

Agora conhecem outra história sobre como não encontrei Armand.
Devem me achar muito doente, por amar um ser tão perverso?
Amo, mas conheço muito bem para saber do que é capaz.

Boa Noite.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

. Meu Mayfair .

Boa Noite!

Oh, queridos... Eu tenho verdadeira adoração por um mortal.
É uma grande pena não poder ficar muito com ele.
Michael Curry. Sim, o bruxo Mayfair.

Já falei como nos conhecemos. Já falei sobre Mona.
E uns anos atrás, fui lhe fazer uma visita... Uns dois anos depois da reforma da minha casa.
Como sempre, sua adorada Rowan não estava... Que mulher tola deixaria aquele... homem, sozinho, naquela casa enorme. Tola. Se vocês não a conhecem devem saber que ela é uma médica fria e calculista. Linda, sim, o é. Mas uma mulher que não tem paixão suficiente, para manter um homem desses...

Vamos parar de falar nela, ele é que interessa aqui.

Michael é exatamente como os meus homens. É um típico homem alvo. Não sei se vocês poderiam entender a atração que esse tipo causa em mim. É só olhar e todas as minhas células ficam eufóricas.

Pois bem...vamos a nossa visitinha...

Como já disse, ele estava sozinho na casa. No salão interior, ouvindo música e lendo...Dickens. Essa obsessão de Michael por Dickens me dá crises de riso. Tudo bem, não está na hora de rir. Lá está ele no sofá que tanto o atormenta... A testemunha de seus atos condenáveis. Não querido, nada condenável. Eu não ligo...

Dessa vez entrei pela porta da frente, toquei a campainha, esperei que ele atendesse... Até o chamei " Michael.."

Então ele abriu a porta, e um vento forte passou pela casa trazendo com ele o cheiro delicioso de Michael... E mesmo depois de séculos lidando com a atração que os mortais causam em nós, esse me é irresistível.

Ele me vê e fica sorridente, me chama e diz que está frio lá fora e eu devo entrar.
Eu digo que não sinto frio... Mas que aceito o convite para entrar.
Ele me leva até o salão interno, com todas as pinturas da antiga fazenda da família Mayfair.
Vejo os quadros, tantos Mayfairs.

- Julien... - digo quando bato os olhos no quadro do meu velho amigo.. Lá está ele, sorridente e sedutor como sempre.
- Sim, Julien. Gosto muito de olhar para ele. - ele diz.
- Você me lembra ele Michael... Não são tão parecidos fisicamente, nem pessoalmente, mas você tem um charme tão profundo quanto o dele. - digo isso, apertando levemente o ombro dele e sorrindo.
- É estranho, você poder falar com tanta convicção e com a memória tão nítida de como ele era. Eu só vi fantasmas, lembranças, imagens. Julien nunca vi. - ele fala.
- Julien era um homem incomum. Era brilhante, engenhoso e um charme.
Mas eu não vim aqui falar sobre ele, já deve saber disso. - eu digo.
- Sei que não. Você veio me oferecer sua adorável companhia novamente. E eu como sempre, devo dizer que não vou aceitar. - ele fala e me dá um beijo na testa.
- Oh, Michael... Quantos homens com seu rosto eu vou ter que matar? Estou me cansando. Toda vez, é você, é Tarsicío... Meus amores mortais. Estou cheia de vocês. - eu falo.
- Eu já vivi muita coisa para querer ser imortal, já fiz muita coisa para querer ser imortal.

Finalmente sentamos no sofá. Michael acende um cigarro, dá um trago profundo e para de me olhar nos olhos. Ele faz isso, me olha nos olhos. Pareceu estar refletindo sobre alguma coisa.

- Onde ela está ? A Rowan? - perguntei.
- Trabalhando, onde mais ela estaria? - ele sorri.
- Eu não deixaria você por ai, pelos cantos dessa casa, sozinho...
- Selene... você não tem um... namorado vampiro? Ou coisa parecida? - perguntou.
Eu rio demoradamente... Claro que ele se referia à Armand, que tinha ido visitar minha casa durante as obras.
- Não é bem assim, eu gosto da presença e da companhia dele. Passamos muito tempo juntos, mas não existe um... pacto de exclusividade, entende? - respondi.
- Ele não ficaria bravo se eu entrasse assim na sua vida? - perguntou, acendendo outro cigarro.
- Está bem, está bem... Eu entendi. Você não quer ser um vampiro, ou não quer ser meu?
Me aproximei mais dele... Deslizei levemente minha mão sob o rosto dele, passando calmamente os dedos pela barba que lhe cobria o queixo. Tive apenas tempo de sussurrar... Michael, antes de beijá-lo e finalmente conseguir provar aquele sangue...

- Au revoir, mon fils.

Sai pela rua assobiando e cantando para os passarinhos...

Boa Noite.

domingo, janeiro 09, 2011

. Seguida no Talamasca .

Boa Noite.

Queridos, queridos... Vocês que lêem minhas memórias ainda desconhecem meu lado negro.
Meu lado negro não suporta distrações, conversas tolas, atitudes dramáticas demais, e simplesmende odeia ser seguida. Não tanto pelos imortais... mas por mortais... Isso o deixa enfurecido. E não existe meus queridos nada mais perigoso para um mortal que um vampiro irado.

Vocês, se já eram as crônicas vampirescas conhecem o Talamasca.
E a história de hoje é sobre um membro dessa ordem de estudiosos.
Seu nome era Oliver. Oliver Foster. Ele atuava no campo do estudo dos vampiros.
O que no Talamasca significa nos seguir por ai, ver onde vamos e o que fazemos.
E não me agrada nada ser vigiada. A menos que sejam por vampiros atormentados, ou interessantes... É.

Bem, ele me encontrou em Praga, enquanto eu admirava as obras no Museu Nacional.
Um lindo prédio em estilo neorrenasentista. Como era noite e eu tinha entrado por uma janela que abri com o poder da mente, ele teve que convencer os guardas a deixá-lo entrar.
Mas do que obviamente ele não disse que havia mais alguém dentro do museu. Só que a menção do Talamasca consegue abrir muitas, muitas portas em instituições como museus, igrejas, galerias, bibliotecas, e até acervos particulares.

Como a maioria dos mortais que sabem o que somos e nos encontram ele ficou cheio de medo ao me ver. Medo, mas também admiração. Não consegui entrar na sua mente. Isso me espantou por um momento, só que logo notei do que se tratava.
Eu estava encostada em uma parede observando uma estátua bizantina quando ouvi passos no corredor, então ele chegou. Vinha cheio de receio e curiosidade, olhava para todos os cantos e altos das paredes. Essa gente acha mesmo que nos escondemos no teto?
Até mesmo investigadores experientes como Oliver sabem que os vampiros na sua maioria são bem imprevisiveis. E ele estava sendo o mais cuidadoso que conseguia. Apesar de já ter um histórico sobre mim, saber que eu não sou agressiva em primeiros encontros... Em saber que eu já tinha encontrado outros membros de sua ordem e não tinha lhes feito mal. Mesmo assim, nunca se sabe o que esperar de um vampiro.

Depois de explorar o local por uns momentos, o brilho dos meus olhos por fim denunciou minha posição. Ele quase teve um enfarto, juro a vocês. O coração do homem quase parou quando me aproximei dele e disse que era Selene e não lhe faria mal. Mas que ele fosse embora e deixa que eu visitasse o museu sem ser perturbada. Trocamos um aperto de mão. E fiz isso apenas para ele conhecer a textura e a frieza da minha pele. Ele se foi. Caminhando lentamente tentando disfarçar que estava tremendo de medo.

O que vocês devem entender é que somos seres lindos, sim somos. Mas podemos ser bem assustadores quando queremos. E foi a visão da sombra pálida do meu rosto que assustou aquele homem. Mas vamos mais para frente.

Um mês depois em Budapeste, no Museu de Belas Artes... o encontrei novamente.
Isso já estava me incomodando.

Duas semanas depois, em Bruxelas...
Ignorei sua presença...

Mas ai o encontrei em Amsterdã, ele parecia mais ousado, por estar em casa, nos braços do Talamasca.
E finalmente falou comigo.
Ignorei seu contato.
Horas depois me peguei furiosa com esse mortal que insistia em me seguir.
E mal queria trocar duas palavras comigo. Meu lado negro também é impetuoso.

Entrei na casa Matriz do Talamascam, ignorando o fato dos membros poderem saber que eu estava lá. Que eles fossem pro inferno com seus poderes.
Entrei no quarto de Oliver...

- Olá Oliver. - disse eu enquanto me sentava na janela.
Ele derrubou a taça de vinho quando me viu. Estava bebendo e escrevendo o relato sobre nosso encontro.
Mal conseguiu balbuciar meu nome.

- Você quer escrever um bilhete de despedida? - perguntei, enquanto ria e deliberadamente mostrava meus caninos ameaçadores.
- Sssssim.. Você, você vai me matar? Por favor, não me mate. Eu só a segui por que admiro sua condição sobrenatural.. Seus poderes.. - implorou.
- Não me venha com essa. Não sabe nada sobre a minha condição.- respondi.

Pulei da janela para dentro do quarto.

Bem, queridos. Devo dizer que meu lado negro prevaleceu aquela noite.
Não perdi meu precioso tempo bebendo o sangue daquele homem, apenas o matei quebrando-lhe o pesçoco.

Fim de história. Me arrependo dessa morte. Não foi necessária.
Mas eu estava descontente com minha vida naqueles anos.
Andava por ai solitária e sem companhia. E foi praticamente um aviso aos nossos queridos membros do Talamasca para que não me seguissem mais.


Boa Noite.

sábado, janeiro 08, 2011

. As Noites de Selene no Blood and Books .


Boa Noite seus lindos.

Esse post é para falar sobre o post que a fofissima Danni Foreman fez para As Noites de Selene.
A Danni que é outra frequentadora do fórum A Ilha da Noite sobre as obras da Anne Rice, tem um blog sobre obras de vampiros, outros gêneros de livros, sobre músicas, sobre cinema, sobre várias coisinhas interessantes. E ela um doce de criatura que é, e também uma apreciadora das minhas fics sobre a Selene.

Essas fics me dão muita alegria, eu me sinto muito feliz por escrevê-las e mais ainda por existirem pessoas que apreciam os meus escritos. É um outro nivel de envolvimento com esses personagens que amo tanto. Faço o possível para ater minhas fics a situações possíveis e gostosas do mundo ricenano.

Pois bem... Obrigada Danni.

E vocês, seguidores e gente que vem por aqui ocasionalmente... Vejam a postagem, mas não parem por ai, o blog da Danni é muito interessante e cheio de coisinhas legais.
Link
- Postagem sobre As Noites de Selene -
http://danniforeman.blogspot.com/2011/01/blog-as-noites-de-selene.html

. O Estranho no Bar .

Boa Noite!

Tudo bem queridos.
Tenho uma história nova para contar.
Sobre uma noite, e um homem.

Eu estava andando por Nova York umas décadas atrás, andava por lá observando as pessoas,
sentindo a vibração no ar, o vento nas árvores, o cheiro da água da chuva acumulada nas flores...
E a luz da lua quando refletia nas poças na calçada. Mas essa história aqui não é sobre minhas sensações ao estar nesse lindo mundo noturno.
É sobre um homem.

Ele parecia apressado quando passou por mim e esbarrou no meu ombro.
Se desculpou, tinha uma voz e um sotaque lindo. Resolvi seduzir aquele homem, absorver sua vida e suas paixões através do sangue. A çaca tinha começado.
Enquanto ele se desculpava, parecia que iria embora sem me olhar no rosto ou notar que eu era alguém,além de uma coisa em que ele havia empurrado.
Pois bem, ele iria me notar. Baixei um pouco a cabeça e depois levantei sedutoramente os olhos. E ele notou seu brilho sobrenatural. É, a caça tinha começado realmente.

Me limitei a sorrir e continuar andando, mas não andei para qualquer lugar, fui atrás dele. O segui por ruas apinhadas de gente e animação. Ele não me viu. Entrou em um bar, mas não um bar qualquer era um lugar luxuoso e sofisticado. Me sentei no balcão, num daqueles bancos altos e pedi uma bebida. Vodca servida em um copo alto e acompanhado de uma cereja vermelha, de um vermelho tão intenso que fiquei admirada. Então vi meu homem. Ele estava fumando e bebendo whisky. Agora eu podia vê-lo melhor. Era alto, com um corpo bem feito, cabelos ondulados e uma barba bem feita... lindos olhos castanhos e um sorriso encantador. Me aproximei dele... lentamente. Andando naqueles saltos escandalosamente altos que faziam tanto sucesso entre as mulheres, enquanto me aproximava, entrei na mente dele.
Estava recheada de imagens sexuais, muitas dele e de todas as mulheres com que já havia estado. Cheia de desejo pelas coisas que achou que iria fazer comigo. Doce engano meu querido. Eu vou possuir você.

Ele deu um sorriso malicioso e dispensou os amigos... Disse que tinha arrumado um programa melhor. Se aproximou de mim e me deu um beijo no rosto.

- Você, denovo. Está me seguindo? - ele me disse
- Não, claro que não. Sempre venho aqui, nunca me viu? - respondi.
- É, talvez eu não estivesse olhando bem. Mas como será,que deixei passar uma belezinha como você? - disse, mordendo levemente os lábios. Como os mortais fazem quando estão ligeiramente nervosos.
- Não sei. Quer me levar para casa? Acho que está tarde demais para andar por ai sozinha. - perguntei.
- Mas é claro. - respondeu.

Ele pegou seu casaco e saímos juntos do bar. De braços dados...
Mas não fomos para casa nenhuma. O levei para um lugar mais escuro da rua.

- Onde vamos?
- Você sabe onde vamos. Soube desde que me viu.
- Sei é?
- Sabe. Lugar algum.

Dizendo isso, o beijei e ele que não tinha entendido nada da minha conversa me beijou também... Mas ficou muito claro quando cravei meus dentes na língua dele. Que protestou é claro.
Entretanto, ele não tinha como se livrar do meu abraço. E por fim, ele pareceu começar a gostar da situação, e aproveitar o beijo. Passando de leve meu rosto no seu, sentindo a macia ainda que áspera barba que ele conservava, cheguei até sua garganta. E foi o fim de nosso adorável encontro. Quando o sangue jorrou do ferimento, quando sorri ao senti-lo enfraquecer e finalmente morrer no meu abraço. Mordi levemente minha língua e lambi as pequenas marcas de dente e tudo sumiu junto com a vida que ia embora.


Boa Noite.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

. Desejo do Mal .

Boa Noite!

Eu já falei de muitos imortais para vocês. Já contei muitas histórias minhas que me levaram até eles. Mas ainda existem muitos que desconheço. Muitos que ainda são enigmas para a minha mente. Alguns tão obscuros e soturnos que nem se tem noticias. Nunca é uma surpresa encontra-los nas ruas mais desoladas ou desconhecidas da terra.
Nunca é surpresa ver rostos brancos demais para serem humanos vagando por essa terra.
Existem imortais perdidos para o tempo, aqueles que estiveram conosco durante pouquíssimo tempo, tempo que mal foi suficiente para gravar seus nomes na memória.
E às vezes nos encontramos. Vocês não fazem idéia de quantas já vi em minha vida.
Conheci alguns que não sabiam nem o que eram. Conheci muitos de história curiosa.
Conheci também os insignificantes. Esses que não merecem o sangue e o poder que com ele vem.

Mas o sangue é uma dádiva, como é uma dávida nossa vida.
Vocês acham que todos que vivem merecem viver? É o mesmo com o sangue. Nem todos que o receberam merecem tê-lo.
E alguns... fazem de tudo para evitar virar o que somos.

O que somos... Já ouvi tantas histórias sobre nós.
Monstros, sem alma, enviados do inferno, mensageiros da morte, cavaleiros das trevas, bruxos, bruxas, vampiro... Sugadores de sangue.
Mas, será que somos assim tão diferentes, do homem que mata para se alimentar?
Acreditam realmente que os homens teriam algum tipo de clemencia conosco?
Eu dúvido muito. Na realidade tenho plena certeza. Já vi as atrocidades que eles comentem contra nós. Apenas por nos revelarmos a eles. Alguns que eram nossos amigos, nossos amados, se viram contra nós quando descobrem nossa verdadeira natureza.
Somos a face mais escura da humanidade meus queridos.

O lado que os homens tentam camuflar. Eles são hipócritas em nos julgar, se são capazes de tanta crueldade quanto nós. É exatamente por isso que não tenho o menor pudor, pena ou misericordia quando preciso matar. Por que o sangue é uma necessidade. Necessitamos dele tanto quanto um mortal precisa de água.

O que estou dizendo a vocês, já foi dito a muitos imortais por mim. Tive essa mesma conversa interminável de argumentos contra e a favor com muitos de nós. Mas poucos tem a coragem para admitir tudo isso. Uma pena.

Agora vocês se perguntam por que amo Khayman?
Ele me ensinou tudo isso. Com seus milênios de reflexão. Meu pai me ensinou que os homens são capazes de todo tipo de crueldade. E que foi exatamente a crueldade e a incompreensão da raça humana que gerou o que nós somos. Quando a rainha Akasha puniu injustamente as belas gêmeas, por não conseguir aceitar a verdade sobre seus Deuses. Os homens são tolos.

Deixando toda essa conversa de lado... Que não sei exatamente por que comecei. Acho que foi para provar que não somos assim tão diferente dos humanos, e que somos algo inevitável para alguns. Vocês vão ouvir um caso muito curioso. Sobre uma mortal, uma vampira. Uma grande amiga minha. Katherine ela se chama.

A mãe dela, Suzane, era conhecida por sua grande beleza. Era uma adorável costureira.
Realmente adorável. Famosa por sua beleza na pequena cidade onde moravam. Na Inglaterra.
E esse adorável ser atraiu a atenção do pai de Katherine, Paul.
Eles logo se apaixonaram e casaram. Viviam felizes e animados. Uma vida simples mas cheia de amor. Mas Paul foi chamado para a guerra. A primeira guerra mundial.
Suzane, descobriu depois de sua partida que estava grávida.

Alguns meses depois, ela recebeu uma carta, confirmando a morte de Paul. Entrou em desespero, mas conseguiu superar todo o sofrimento com a ajuda de um amigo. Um jovem gentil e educado. E também rico. Esse a cobriu de cuidados e presentes. Pagando todas as suas dividas, todas as suas despesas. Nada assim tão anormal a julgar pela beleza impossível de Suzane. Mas o parto logo chegou. E tudo se complicou. Nosso adorável amigo, senhores, era um vampiro. Chamava-se Eduardo. E com o parto, vocês sabem o que vem. Uma torrente de sangue. Entretanto ele não a atacou é claro. Nosso adorável Eduardo havia se apaixonado pela beleza de Suzane. Ele fez algo muito pior. Para evitar que ela morresse, a transformou. Só que o que nosso vampiro não lembrou de fazer, foi cortar o cordão umbilical que ligava mãe e filha. Mas assim que Suzane viu o que ia acontecer cortou ela própria.

Ela sobreviveu. A criança também. Eduardo conseguiu.
O que ele não conseguiu foi prever o resultado daquela parte ínfima de sangue vampirico que correu para dentro de Katherine. Mas você pensam, não existem mortais que tomam sangue dos vampiros e não se transformam nem sofrem nada? (Exceto a dependência é claro.)
Mas, isso não foi consumo, foi ligação direta. Diretamente na veia.
Não, Katherine não virou um bebê vampiro. Nem adquiriu caracteristicas de vampiro.

Entretanto o espírito desejava sangue dentro dela. Desejava que a transformação fosse completa.
Como ele sempre desejou. E durante toda sua vida mortal, Katherine foi atormentada por uma vontade incontrolável de se tornar uma vampira. Apesar de toda a relutância de seus pais. Pais vampiros. Que cuidaram e progeteram-na durante toda a vida. Ela no entanto não se importou.

O que não se pode remediar, remediado está. É o que dizem.
E um dia... Ela roubou o sangue da mãe. Acham estranho?
Pois bem, devo dizer que ela realmente se transformou. Mas não com o sangue materno.
Foi quando me encontrou e contou-me toda essa história.

Percebam queridos, que nosso mal,esse espírito que carrega nossa sede de sangue é tão profundo que consegue transformar uma jovem com toda a vida pela frente e toda sorte de oportunidades perseguir as criaturas da noite em busca da nossa maldade. É.. os vampiros são inevitáveis meus queridos.

Boa Noite!

quinta-feira, janeiro 06, 2011

. Nas Ruas Da China .

Boa Noite!

Eu me lembro de quando conheci uma imortal, uma linda mulher, com uma inteligencia aguçada, lindos cabelos castanhos, olhos perspicazes e um amor mais eterno que ela mesma.
Seu nome era Pandora. Pandora a Romana.
Romana como seu adorado Marius. Tão parecida com ele.
O mesmo tipo de inteligencia. Mas diferentemente dele tinha o coração mais poderoso que o cérebro. Marius insiste em complicar o que é terrivelmente simples.
E ela, insiste em ter razões sobrenaturais para as coisas.
Dois grandes tolos. Brincadeira. São dois imortais incomparáveis, os dois mais famosos Filhos dos Milênios.

A poderosa Pandora que por anos foi adorada como uma Deusa, e como uma Deusa, cheia de uma fúria e gula insaciável de sangue. O sangue dos sacrificios.
Estranho ver toda aquela civilidade romana contrastando com a exótica cultura indiana.

Conheci Pandora na China, não me lembro exatamente em que época.
Mas lembro que não foi o encontro mais agradável que tive. Pelo menos não o primeiro.
Meu treinamento com Khayman, minha paixão por Enkil e meu respeito por Marius me cegaram ao encontrar Pandora. Senti uma aversão por ela.
Talvez fosse inveja... Nunca se sabe. A questão é que Pandora é um ser tão misterioso e encantador quando eu mesma consigo ser. Tirando o fato de que eu costumo falar. Ela não.
Não se pode ler o que há atrás daqueles olhos.

Eu estava andando pelas ruas de um bairro de Pequim quando vi a imortal.
Passos firmes e destemidos, eu a segui.
Usava roupas que lhe ocultavam o corpo e o rosto também.
Não foi fácil identificá-la.
Claro que ficou muito mais possível quando ela se revelou para mim.

- Espero que encontre o que está procurando, vindo atrás de mim. - disse Pandora.
- O que procuro você não sabe onde está. Nem teria como encontrar. - respondi.
- Eu sou Pandora, quem é você? E por que me segue? - disse Pandora.
- Me chamo Selene, e estava apenas querendo encontrá-la. Vi seu Marius. Ele ainda está procurando você. Que tolice minha cara. O que continua fazendo aqui, isolada no Oriente? Esqueceu da boa vida no Velho Mundo? - disse eu.
- Você diz coisas absurdas. Deixe Marius com suas buscas inúteis. Ele não vai encontrar sua Pandora. Se ele um dia me encontrar, seria quem sou. Não o que ele espera. - disse Pandora.
- Ah, querida. É exatamente isso que ele espera. Mas, deixe que a busque. Fuja eternamente dele. Isso realmente vai amansar o amor dele. - disse eu.
- Você diz coisas absurdas, sabia? Age como se entendesse sobre mim, ou sobre ele. Duvido que tenha poder ou sabedoria para me dar conselhos. - disse Pandora.
- Acha realmente que eu não tenho poder? - desafiei.
- Sim. Acredito que seja só mais uma que se encantou pelos bons modos e a gentileza com que Marius recebe os convidados. - respondeu Pandora.
- É, um palpite de sorte. Mas veja só Pandora, suas roupas estão em chamas. Você deveria ver isso. Antes que você mesma seja consumida pelas chamas do meu poder. - ri.
- Maldita! - ela gritou.

Sumi pelas ruas, mas é claro que não fiz nada que pudesse machucá-la. Aprendi a controlar muito bem esse poder. Apenas queimei as barras de suas saias. Mas também, quem manda achar que eu não tenho poder?

Foi assim que conheci Pandora. A mulher imortal mais encantadora que conheci.
Nossa relação sempre foi venenosa. Mas com muito carinho.

boa noite.

. Sobre a Sublime Lua .

Boa Noite!

Ah, queridos. O Mediterrâneo... Meu adorado mar. Suas lindas e calmas águas azuis.
Senti tanta falta dele nesse tempo em que passei afastada. E aqui já estou eu novamente longe dele. Mas deixem-me falar sobre minha viagem. Um cruzeiro...

Sim, como eu tinha avisado no relato anterior parti em um cruzeiro com Mikha, Vlad e Armand.
Foi uma semana ótima. Os bares, os cassinos, as compras, os salões de dança, e todas aquelas pessoas estranhas e encantadoras. Apesar de ter achado muito desonesto da parte de Armand usar seus poderes para ganhar no poker, mas em todo caso ganhei lindas jóias.

Foram realmente dias gloriosos. Todas as noites passadas em auto-mar, o cheiro do mar... Sim.
Até mergulhos noturnos. Mergulhando no mar com minhas belas roupas finas, nadando até as ilhas. Secar deitada na areia, vendo minha adorada lua. Sentindo todos os odores deliciosos que vem do continente, o cheiro das comidas, dos produtos de beleza, o cheiro bom do suor das pessoas e o sangue.
E quando me virava lá estava Armand, perdi horas observando aqueles olhos escuros. Que não absorviam a luz da lua que parecia grudar neles, mas apenas a refletia.Um lindo fenomeno da optica. Lindo de se ver.

- Amadeo. Sim, um lindo nome que Marius escolheu para você meu amor. Deus, seja lá quem ele seja, seja lá onde esteja... Deveria estar cheio de amor quando pensou nesses teus olhos. - eu falei.
Ele se limitou a rir fracamente.
- Vamos querida. Tem um mundo flutuando naquele navio, vamos voltar. Estou com fome e as mesas de poker me esperam. - disse Armand.
- Claro. Podemos voar? Quero tanto voar, me livrar dessa areia e secar meus cabelos no forte vento dos mares. - falei.

Mas não esperei uma resposta. O abracei, ele me envolveu com seus braços. Ah, que lindos braços... E fomos levantando voo, até chegar a piscina do navio, onde não havia ninguém aquela hora da noite.

Rapidamente fomos para as nossas cabines e trocamos aquelas roupas molhadas.
Minha cabine era simples mas aconchegante.
Tinha uma mesa com algumas cadeiras, uma cama, alguns suportes nas paredes. Uma sacada pequena mas grande o suficiente para mim e minha obsessão em observar a lua.
Além de meus pertences, duas grandes malas repletas de roupas, sapatos, livros e presentes. Muitos presentes. Além de uma mala ainda maior onde eu durmo algumas noites. Em outras apenas fecho minhas cortinas e tranco as portas.
Há também um banheiro, que uso somente para o banho e pelo grande espelho que possui. Adoro espelhos.

Mas, essas coisas triviais estão me cansando. Vamos ao que interessa.

Encontrei Armand do lado de fora da minha cabine, usava um terno bem cortado de veludo negro e uma linda gravata de seda roxa. Oh, ele cortou os cabelos. Não gosto muito de vê-lo com os cabelos cortados, mas se ele o fez, não posso reclamar nada.

-Você viu Vlad e Mikhail por ai ?- perguntei.
- Estão nas máquinas caça-niqueis. E estão ganhando. - disse, enquanto entendia o braço para mim, um gesto por demais cavalheiresco.

Fomos aos salões de dança... E dançamos.. E bebemos também. Entre algumas conversas com casais que também dançavam. Oh, Armand. Esse enfeitiça magistralmente. Os mortais nem sabem o que aconteceu. Mas devo dizer que não era o sangue deles que eu desejava. Não era aquele sangue que iria aquecer minha fria pele pálida.

Passamos o resto da noite no convés superior, observando a lua. Eu a observava; Armand, não
sei o que fazia. Estava em um dos seus momentos de ausência. Mas pareceu acordar, quando colei meus lábios frios nos seus, tão quentes quanto o dos mortais, aquecidos por seu sangue. Quando bebi dele, quando passei meus dedos por seus cabelos, admirando a brancura deles se perdendo naquelas mexas cor de âmbar. Um momento sublime. Coisas que eu não experimentava a muito, muito tempo. Momentos simples e maravilhosos. Grandes momentos.

O mar sempre é meu palco perfeito, meu cenário favorito.

Boa Noite queridos!

quarta-feira, janeiro 05, 2011

. Um Adeus Apressado .

Boa Noite!

Acabei de receber uma visita... Ainda estou morando em Miami é claro.
Armand não está em casa, nem esteve em casa nos últimos dois dias.
Não sei onde foi. Nem faz parte da minha personalidade perguntar.
Ah, David foi quem veio me visitar. Ao que tudo indica Khayman queria ficar sozinho.
E ele decidiu vir me fazer uma visitinha...

Eu tenho um mordomo já falei isso?
É o máximo. Acho muito divertido. Ele é um cara incrível, ele é logicamente inglês.
Tem outros empregados na casa, mas só ele que fica a noite.

- Sra. Selene, tem uma visita aqui. - falou Harry.
- Quem é, Harry? - perguntei.
- Ele disse que se chama David, David Talbot.- respondeu Harry.
- Ah, mande ele vir aqui. E depois pode ir embora Harry. Está dispensado. Boa Noite. - respondi.

Estava no meu quarto, lendo e ouvindo música. E David foi até lá.

- Olá David. Boa Noite - falei. Indo até ele e lhe dando um forte abraço.
- Selene! Já estava até com saudades de suas demonstrações exageradas de carinho. - respondeu.
- E o que te traz aqui? - perguntei.
- Khayman está querendo ficar só, e eu queria conversar com alguém essa noite. - respondeu David.
- Claro que queria, mas não fique ai parado como uma estátua. Sente-se aqui - apontei para uma poltrona ao lado da janela.
- Certamente.

Durante umas horas conversamos sobre as histórias de Khayman... E David ficou me falando como ficou espantado ao ver Khayman se alimentando...

- É assustador no inicio. Mas depois você se acostuma. Ele é bem brutal. - falei.
- Realmente. Mas Selene, me diga... Fale mais sobre Tarsicío. Conte as histórias dele, suas histórias.
- Está bem, estou cansada o suficiente para não conseguir relutar. - respondi.

- Eu não o descrevi suficientemente bem, acredito. Ele deveria ter mais ou menos 1,75. Corpo forte e bronzeado. Ele era eternamente alegre, nunca ficava de mal humor com ninguém. Seus olhos tinham uma cor diferente, pareciam-me quase amarelados.
Ah, esqueci de dizer, ele tinha trinta e sete anos.
Era bem mais velho que eu, mas aquilo não era um problema. Sempre fui muito madura para a minha idade, até mesmo para a mentalidade que esperavam que as mulheres tivessem naquela época.

Fazíamos muitas coisas juntos; viajávamos, íamos à praia, para observar o mar... Íamos ao teatro,às feiras...Lembro do dia em que fomos a Olimpia. Adorei Olimpia.
E fazíamos planos, era o que mais fazíamos. Mas devo dizer David, que nunca, absolutamente nunca, houve uma consciência do romance sabe... De que estávamos apaixonados e que deveríamos nos casar uma hora ou outra. Éramos puramente amigos. Grandes parceiros. Não era muito comum esse tipo de relacionamento. Não existia isso de namorar, passar anos noivos... nem nada disso. Eram coisas mais rápidas e espontâneas. Sorte de quem conseguia casar com alguém que gostasse antes que o pai a empurrasse para o que tivesse mais cabras no curral.

- Você o teria transformado, Selene? - David perguntou.
Ri fracamente... E dei um leve suspiro.
- Ah, David... Não sei. Acredito que se Tarsicío ainda estivesse vivo quando encontrei Khayman... Teriamos quatro opções.
1º Eu não teria aceitado o sangue,
2º Khayman não teria oferecido,
3º Khayman teria matado Tarsicío, e me oferecido o sangue, e eu teria aceitado,
4º Eu não teria aceitado o sangue, se Khayman tivesse matado Tarsicío.
- Realmente muitas opções. Não existe possibilidade de ele ter sobrevivido ao sangue? -perguntou.
- Sem condições. - respondi...
- Selene... - ele tinha ouvido alguém chegar.
- Eu ouvi David, deixe que chegue.

- Acho que vou visitar a Grécia amanhã, quer vir David? Ah, não.. Esquece. Eu tenho outros planos para a Grécia. Meus filhos estão aqui sabia? Mas, não aqui, agora.
Eles saíram para ver a cidade. - falei.
Estava debruçada na sacada do quarto. Olhando a lua...

David levantou da cadeira respeitosamente.

- Boa..Boa Noite Armand. - falou calmamente.
- Boa Noite, David. O que faz por aqui? Veio me ver? Duvido muito.

Eu estava voltando para o quarto quando ouvi outros barulhos na casa.
Mikha e Vlad tinham voltado.
E vieram me ver, é claro.

- Querido,você voltou. - falei alegremente.
Voltei para o quarto rapidamente, e abracei Armand... Mas ai vi seu semblante furioso. Parecia a ponto de explodir.
E eu sabia muito bem como acalmar aquela ferinha...
- Até mais David, fique por ai se você quiser. Ou você pode ir embora... Ou qualquer coisa. Até mais. - falei enquanto puxava Armand pelo braço... que se deixava levar.
- Até mais Selene, Boa Noite!

Eu estava quase saindo do quarto, quando me deparei com Mikha e Vlad na porta.

- Selene! Adoramos Miami! Que cidade fantástica. - falou Vlad.
- Ah, queridos, que bom. Vão jogar alguma coisa, tem um video game na sala de estar. Estou muito ocupada. Vão, vão, vão logo...

Devo dizer que fui muito, muito deselegante.
Me desculpei devidamente com David depois.
Mas, eu tinha preocupações maiores que etiqueta e bons modos.

Minha noite senhores, foi muito agradável...

Ah, estou partindo para um cruzeiro no Mediterrâneo, com Armand, Vlad e Mikha.
Conto sobre essas noites depois.

terça-feira, janeiro 04, 2011

. Quebrando a Redoma.

Boa Noite!

Queridos, estou terrivelmente preocupada.

Mas qual poderia ser minha preocupação? Meus adorados filhos é claro.
Se algum de vocês tem um filho adolescente agora, sabe muito bem dos problemas que eu estou enfrentando. Mikha está completamente viciado em jogos, em video games e computadores... Até certo ponto isso é bom, uma maneira de encarar as suas eternidades.
Mas, quando eles deixam de tomar banho, trocar de roupas ou se alimentar.

É... eu tive que me mandar pra Redoma de Vidro.

E sabe o que é pior, além de problemas com filhos... Ainda tenho que dar satisfações da minha vida para o Armand... Sim, isso é irritante. Entretanto, acho até divertida essa preocupação dele.

Quando fui para a Russia, deixei um aviso para ele.
Com um dos empregados da nossa casa. Bem... a reação dele não foi das melhores.

- Senhor Armand... a sua, a sua, ela é o que mesma sua? - perguntou o senhor com o qual eu havia deixado o recado.
- É minha namorada. Algum problema? - estava distraido meu querido Armand.
- Mas o que exatamente ela fez? - Armand perguntou.
- Ela deixou um recado pro senhor. - respondeu o homem.
- Que recado? - perguntou, impacientemente.
- Ela disse: " Diga a Armand que eu fui para a redoma de vidro, resolver a situação com os meus filhos. E que não sei quando volto. Diga também que se ele quiser, pode ir para lá." Achei muito estranho senhor... ela parece muito nova para ter filhos, o senhor não acha? - respondeu o homem.
- É... muito nova realmente. - respondeu Armand secamente.
- Muito obrigado pela informação. - disse, tirando um monte de notas de vinte dolares do bolso e entregando ao homem.

Descobri isso, por que meus adorados filhos invadiram o sistema de vigilância da casa, só por que eu queria ver a cara que Armand ia fazer quando descobrisse...

Enfim... cheguei a Redoma de Vidro umas oito da noite,tinhamos muito tempo ainda.

Quando apareci na sala da casa... silênciosamente, nenhum deles me ouviu. Mas, conhecei a andar pela sala, fazendo um barrulho que eu adoro, o som do salto no mármore...

- Quem está ai ? - Vlad perguntou.
- Vlad, querido.. Chame seu irmão. Selene está em casa - respondi.

Claro que em minutos minhas crias estavam me abraçando, me beijando, me apertando.. Ai, sim. Que sufoco me livrar deles...

- Sim, meninos. Estavam com saudades, eu sei. Não Vladmir não trouxe nenhum video game novo. Que inferno. E foi exatamente por isso que vim aqui.
Estão usando as roupas da internet denovo? Que cabelo é esse Mikhail? Morreu um rato ai dentro? Não, sem discussão meus lindos. Já pro banho, já já.
Querem que eu vá dar banho em vocês?!! Que horror, vocês já tem mais de cem anos, pelo amor do pai dos Deuses, vão se lavar seus porcos.

Vocês acham estranho isso? É... nós temos uma relação realmente de mãe-filhos.
Vlad perdeu seu interesse pessoal em mim depois que se transformou. E Mikha sempre foi um grande amigo. Nunca um amante. E eu sou a mãe deles. Eles são meus filhos.

E minha verdadeira missão aqui é tirá-los dessa casa, vou leva-los comigo para Miami.
Vocês acreditam que eles compram roupas pela internet? Nenhuma cria minha vai andar com adranjos feito um mendigo.

Meu plano é faze-los ver o mundo novamente. Sairem dessa coisa dos computadores e jogos. Eles como chama.. finalizam dois, três jogos por noite.... E nem me fale nas máquinas de Donkey Kong. Aquilo é um crime... Argh...

Agora eles aparecem novamente. Vestidos descentemente. Com os cabelos devidamente escovados e limpos. Agora sim...

- Bem... vocês sabem que eu não vim aqui só cuidar da higiêni de vocês não sabem? - perguntei severamente.
- Sabemos...- eles responderam.
- Escutem meninos, vocês são meus filhos e meus amores. E estão jogando suas eternidades fora com essa tecnologia toda. Nada de errado com isso. Mas acredito que vocês devam sair por ai, ver as cidades, ver o mundo e as pessoas. E você Mikha, pensa que o Vlad não me contou que você não está se alimentando direito por que não quer sair de perto dos computadores?
- Selene, eu gosto. Toda hora tem algo novo, algo inovador. E eu saio de casa sim. - respondeu, olhando feiamente para Vlad.
- É.. ele visitou o cara da Apple dia desses.. - disse Vlad.
- O que ? Nem responda. Vão, agora. Façam suas malas. Sem PSP, sem GameBoy, nem Ipad, nem nada. Entenderam? Ótimo. Vou esperar aqui....

Dez minutos depois eles apareceram com suas bagagens. Claro que eu revistei. Não se pode confiar nos viciados. Eles mentem. Ai, acabei de rir com isso.

Essa história pode aparecer meio tola. Mas eu realmente queria contar.
Me importo com eles. Não é nada diferente de todos nós mortos de preocupação com Lestat e sua ausência.

Agora.... Claro que eles não queriam ir... Só que meus lindos filhos sabem quem manda na casa. E sou eu.

Já em casa, instalei-os confortávelmente... Longe dos computadores. E estamos saindo bastante. Vlad disse estar adorando o calor de Miami. Mikha ainda não se acostumou...
Mas eles são ótimos rapazes. São alegres e divertidos. Conseguem encher a casa de sorrisos. Ah, sim Armand... Ele está gostando. Disse que agora eu não tenho mais motivos para sair de casa. "Somos um casal feliz e completo".

Boa Noite.